Seu João sabia das coisas.
Da hora do carteiro, dos dias de coleta do lixo, da multa de trânsito que chegou para o vizinho do 302 e da festa que o filho de Dona Sônia deu no 701, no dia em que ela viajou.
Chegava cedo na portaria e saía tarde. Não se importava. Afinal, as horas extras ajudavam nas despesas do mês.
No dia do assalto, Seu João tinha saído para o almoço. Ficou assustado, quando voltou e viu a polícia na porta do prédio. Lamentou ter saído.
Ajudou a checar as câmeras de segurança.
Reconheceu o bandido.
Seu João ficou feliz em ter ajudado.
Tinha certeza que era ele. Namorou a vizinha do 402. “Chegava à noite e já esbarrei com ele, algumas vezes, na padaria da esquina, na hora do café.”
Seu João sabia de tudo.
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