Sem ânimo, levantou-se e saiu. Afinal, a hora se aproximava. Foi até a Alameda Santos, como todas as quintas, encontrou Ana, Maria e Taís.
Casa de Ana, muito verde, muitas janelas... mas a tristeza estava presente. Foi quando Ana contou que seria a última quinta. “Última, o que houve?” “A casa será leiloada”... “Mas para onde irá Ana?” “Para a casa da minha filha, sem problemas, imaginava que isso aconteceria”.
Sentimos muito, todos disseram e sem pensar muito iniciaram o jogo, resolveram aproveitar o dia de hoje, afinal é tudo o que temos.
Antônio vestiu-se, então com seu melhor sorriso, Maria e Taís nunca jogaram tão bem, e Ana sorria, no lugar que amava com quem amava e pensava como as dificuldades podem transformar a vida.
Aline, uma ótima situação criada a partir da foto. Há esse pesar que já acorda com Antônio, e que vai se confirmando ao longo do dia. Há essa busca melancólica por conquistar esse dia que resta (Maria e Taís nunca jogaram tão bem). Gosto também do fato do narrador não dizer o objetivo das quintas (o de jogar), e como somos informados de forma sutil. Senti falta de uma elaboração maior, não só na extensão, mas na própria linguagem. Dava para ir mais fundo. Talvez a falta de tempo, mas temos um embrião. Perceba como, na última frase, o "pensava como as dificuldades podem transformar a vida" é automaticamente atribuído a Ana, pela estrutura da frase. Contudo, estamos, desde o início, sendo conduzidos pela personagem Antônio. É um detalhe de foco narrativo que faz diferença na condução do leitor, seja num texto longo ou curto. Pense nisso.
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