Cadeira Azul
Antes de sair ou logo ao chegar em casa, Ana sentava na cadeira azul.
Estrategicamente posicionado próximo à porta, o objeto servia tanto para calçar e descalçar, como para apoiar sacolas do mercado e corpos cansados. Santa cadeira!
Verdade que já não aguentava mais tanto. Além da ferrugem, estava com um canto da solda do assento descolada. Apesar disso, mantinha a mesma elegância de quando ocupava a casa de Santa Teresa e fazia jus a sua estrutura de ferro, suportando dois corpos ousados.
“Ana, corre aqui e me passa uma”. Parece que foi ontem que cheguei na sala a tempo de presenciar apenas aquela engenharia malfeita entre o Du-encima-do-banco-em-cima-da- cadeira se desmontar, a lâmpada que estava em sua mão voar, a frase interromper e o seu corpo se estatelar no chão. A solda do canto da cadeira havia rompido. Maldita cadeira!
Ana, fiquei com vontade de saber mais dessa cadeira, detalhes da vida ao redor (porque a cadeira está bem desenhada), vislumbres dessa relação etc. Há detalhes interessantes que dão esse gostinho, como a citação a Santa Teresa (fico imaginando a origem da cadeira, a idade... essa elipse é boa), os dois corpos ousados sendo suportados... E gosto muito também da mudança do Santa para o Maldita. Dava mais assunto... Isso aí.
ResponderExcluirLegal, Flavio! obrigada. Vou tentar aumentar o conto e dar mais corpo! Ana
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