Exercício 03, jogo de observação - Ana O. Rovati

               Imagem escolhida: manifestação

        

        Entre gritos de protesto e corpos correndo, o fogo ardia, queimando objetos que simbolizavam o ato, além daqueles adicionados de improviso. A fumaça tomava conta do ambiente. Os olhos dos manifestantes encandeciam diante do fogo, exaltando apenas aquele pedacinho de rosto que ficava exposto nas tantas cabeças cobertas por camisetas e panos amarrados. A luta era real, e não terminaria tão cedo. Ali, todos eram iguais.

            Depois de alguns minutos distante da movimentação, Luna finalmente retorna para a massa de participantes com alguns pedaços de madeira que encontrara no caminho. Seriam úteis para a manutenção da fogueira. Ao se aproximar, contudo, uma cena lhe rouba atenção e paralisa: um par de olhos brilham sem estarem diante da chama. Luna dá um passo a frente para ver melhor e percebe que a iluminação vem de outra fonte. Os olhos do rapaz refletiam uma tela de celular. Absurdo!, pensou ela. O corpo, posicionado em ângulo reto, tinha a mostra todos elementos de seu rosto; a imagem registrava aquela figura unida a cena do fogo, contradizendo e, portanto, reforçando a cara daquela batalha. 

            Luna não acreditava no que estava presenciando. O capitalismo de vigilância havia minado a democracia, precisava ser interrompido e era para isso que ali estavam! Selfie representava a derrota! Por alguns segundos, pensa no que deve fazer. Retira, então, de serubolso um smartphone, faz uma fotografia e envia a seus amigos.

Comentários

  1. Ana, legal esse jogo de espelhos. A espetacularização do mundo, às vezes, parece mesmo irreversível. Não entendi algumas passagens como "O corpo, posicionado em ângulo reto, tinha a mostra todos elementos de seu rosto; a imagem registrava aquela figura unida a cena do fogo, contradizendo e, portanto, reforçando a cara daquela batalha." Cuidado com as ideias construídas com excesso de rebuscamento. Procure dizer o que é simples de forma simples. A ideia (a princípio, pois tudo depende da intenção do escritor) é não frear a leitura, evitar que o leitor se detenha na codificação por muito tempo. Foi o que aconteceu comigo. De resto, ótima história e um bom embrião para uma personagem. Gostei da Luna. Isso aí!

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  2. Em tempo: nunca esqueça de criar um título para o seu conto. Faz parte da obra, o título.

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