Eu dirigia meu carro a caminho do trabalho, mas desviava o olhar da pista para as minhas unhas. Minhas unhas estavam grandes e me incomodavam. Comecei a morder minhas unhas. Tirar pequenas lascas de forma a diminuir aquelas unhas. Meus braços coçavam e era preciso levar a mão até o local para que as unhas resolvessem o problema da coceira. Mas como usar as unhas para coçar se eu não as tirava da boca? Eu ia unha a unha, do polegar ao mindinho, roendo as unhas como uma traça que reduz o papel a pó. Pó de minhas unhas caiam no meu colo. Minhas unhas foram ficando menores e menores, de forma que começaram a doer. Minhas unhas estavam tão curtas agora, tão rentes à carne que era possível senti-las pulsar. Como eu queria arrancar de uma vez aquele incômodo, aquelas unhas que ora eram grandes demais, outras pequenas demais. De qualquer forma minhas unhas me perturbavam.
Ana, acho que você conseguiu o efeito pretendido: comunicar a perturbação provocada pelas unhas. Ou, provavelmente, uma perturbação interna, refletida no ato de roer. Assim, a última frase fica ilustrativa, dizendo o que já está dito. É uma tendência que às vezes temos, a de explicar ou ilustrar tudo o que veio antes, com um arremate. Fique atenta a isso, certo?
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