Noite de sábado, chego em casa cansado e cansado vou até a geladeira, afinal com fome e cansaço não consigo aguentara. Encontro um pote com os restos do jantar de sexta, lembro que cozinhei de forma simples, porque para variar, estava cansado. Quando vou buscar o prato para colocar a comida reparo que a porta do armário está aberta. “Será que estava tão cansado a ponto de não conseguir fechar a porta”? Coloco a comida no prato, levo ao microondas... um... dois... três minutos... que demora, penso, estou cansado. Escuto um barulho, a comida está quente, posso comer, ao menos a fome irá embora... Olho a comida, mas me sinto cansado. Escuto um barulho na cozinha, estou cansado para ir até lá. Continuo comendo. Outro barulho, meu cansaço me vence novamente.
Quando termino de comer, penso se devo ir até a cozinha lavar o prato, ou se simplesmente posso deixar ali e ir dormir, afinal, estou cansado. Mas venço o cansaço e vou até lá. Percebo que a porta do armário está aberta. "Não é possível que deixei de fechar esta porta, estou tão cansado assim?" Desisto de fechar a porta, o cansaço tomou conta de mim. Deixo o prato na pia. Subo as escadas em direção ao meu quarto, deito em minha cama cansado e cansado escuto outro barulho. Será outra porta? Não importa, preciso descansar.
Aline, você faz duas repetições em seu pequeno conto: a palavra cansado (e outras palavras de mesma raiz) e a situação do barulho na cozinha (com a questão da porta aberta). Esse formato circular transmite angústia, e não sabemos se a personagem de fato fechou a porta, de fato está ouvindo sons, devido à sua debilidade momentânea. É o típico narrador em primeira pessoa, no qual percebemos a condição de desequilíbrio psíquico, provocado pelo cansaço, tanto ou mais que o próprio. Isso aí!
ResponderExcluireu senti que ela estava falando de mim. "nossa, ela me conhece" hahaha Merece parte 2
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