Teus nomes — Exercício de improviso 5 [Cássio]

Teus nomes 


G. era pequena.

Chamávamos, ou melhor, eu a chamava de Polegarzinha.


Os outros a chamavam de “aquela sua amiga, hein?”, bastante ênfase masculina no “hein”. Quando eu estava longe, falavam dela sempre numa escala invariável, que ia do sublime ao ordinário. Começava em "deusa" e "sereia", passava por "delícia" e "gostosa", e terminava naqueles elogios que nenhum cristão gosta de admitir que conhece; pelo menos, não publicamente.


Eu era O amigo, amigo bem maiúsculo. Apresentava, negociava, opinava, assentia, reprovava, me afastava. Alguns eram gratos, outros indiferentes. Ela, quase sempre, sorridente.


Para os quases, eu tinha sempre o ombro direito à disposição — o esquerdo estava fora de cogitação: dava-lhe torcicolos. Dizia-me ser medo de uma surdez naquele ouvido direito dela. "Vou ser a surdinha um dia", vaticinava.


Um dia, me pediu para que deixasse de ser seu amigo. Recusei. Sempre preferi a Polegarzinha à deusa. Ser deus regente nunca foi para mim. Namorado, nem assim.


Minha amiga, hein?! 


Comentários

  1. Como disse, na aula, também gostei. Não lembro se as rimas eram intencionais. Eram? Eu gosto das rimas porque dão um ar de ingenuidade aos sentimentos do rapaz/menino, se comparados com as interpretações dos colegas. O que eu cortaria: "amigo bem maiúsculo". Ele explica o seu "O". Isso aí!

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